quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Alvorada do Amor

Um horror grande e mudo,
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden vendo,
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo
Disse:

Chega-te à mim ! Entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê! Tudo nos repele! A toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar, turva-se hediondo o céu...

Vamos! Que importa Deus? Desata como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emanharem no chão as serpes aos seus pés...
Que importa? O Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! Sou feliz! Porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
-Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!

Ah! Bendito o momento em que me revelaste
O amor com teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
-Terra, melhor que o céu! Homem, maior que Deus!

Última Página

Primavera. Um sorriso aberto em tudo.Os ramos
numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te, Dulce?) À beira-mar, sozinhos
tentou-nos o pecado: olhaste-me ... e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus lábios os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...

Carne, que queres mais ? Coração, que mais queres ?

Poesia Lírica

Poesia lírica é uma forma de poesia que surgiu na Grécia Antiga e originalmente era feita para ser cantada ou acompanhada de flauta ou lira.
Diferente da poesia épica e da poesia drámatica, na poesia lírica o poeta fala diretamente ao leitor, representando ao leitor sentimentos, estado de espírito e percepções dele ou dela.

domingo, 4 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Olavo Bilac ainda está muito presente no nosso cotidiano,não apenas em seus poemas e sim em qualquer texto que ele venha compor.Para muitos Olavo passa despercebido,porém ele está mais presente que nunca,como muitos sabem Bilac era apaixonado pela sua pátria,tanto que a letra do Hino à Bandeira foi escrito por ele e a música composta por Francisco Braga.O hino foi apresentado pela primeira vez a 15de agosto de 1906.






Hino à Bandeira

I.

Salve lindo pendão da esperança!

Salve símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.


Refrão:

Recebe o afeto que se encerra

em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

II.

Em teu seio formoso retratas

Este céu de puríssimo azul,

A verdura sem par destas matas,

E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Refrão:

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!


III.

Contemplando o teu vulto sagrado,

Compreendemos o nosso dever,

E o Brasil por seus filhos amado,

poderoso e feliz há de ser!

Refrão:

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

IV.

Sobre a imensa Nação Brasileira,

Nos momentos de festa ou de dor,

Paira sempre, sagrada bandeira

Pavilhão da justiça e do amor!

Refrão:

Recebe o afeto que se encerra

Em nosso peito juvenil,

Querido símbolo da terra,

Da amada terra do Brasil!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Olavo Bilac foi fiel à sua pátria e sútil ao falar da língua natal, declarando o amor por ela sem fronteira, percorrendo seus horizontes de forma sensivel e humana. Após analize profunda da língua portuguesa, Olavo também expõem em seu poema a influência do Latim em nossa língua que muitas vezes nem nos importamos, mas que com certeza fez a diferença na contrução do nosso país...
Língua portuguesa

Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

quinta-feira, 1 de abril de 2010