O Avô
Este, que, desde a sua mocidade,
Penou, suou, sofreu, cavando a terra,
Foi robusto e valente, e, em outra idade,
Servindo à Pátria, conheceu a guerra.
Combateu, viu a morte, e foi ferido;
E, abandonando a carabina e a espada,
Veio, depois do seu dever cumprido,
Tratar das terras, e empunhar a enxada.
Hoje, a custo somente move os passos...
Tem os cabelos brancos; não tem dentes...
Porém remoça, quando tem nos braços
Os dois netos queridos e inocentes.
Conta-lhes os seus anos de alegria,
Os dias de perigos e de glórias,
As bandeiras voando, a artilharia
Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...
E fica alegre quando vê que os netos,
Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,
Batem palmas, extáticos, e inquietos,
Amando a Pátria sem temer a morte!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Poema infantil : A Avó
Olavo Bilac
A Avó
A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
Então, com frases pausadas,
Conta historias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem . . .
A Avó
A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
Então, com frases pausadas,
Conta historias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem . . .
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Infância de Olavo Bilac
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (alexandrino a partir do nome!) nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de dezembro de 1865.O menino Olavo só conhece o pai em 1870,aos cinco anos de idade,quando este volta da Guerra do Paraguai;sua infância é povoada de histórias e de hinos militares.
Cronologia Biográfica
1865: Nascimento, a 6 de dezembro, de Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, filho de Delfina de Paula dos Guimarães Bilac e do dr.Brás Martins dos Guimarães Bilac, no ocasião cirurgião do Exército brasileiro, na Guerra do Paraguai.
1870: O pai retorna da guerra.
1880: Ingresso na Faculdade de Medicina, aos 15 anos, mediante autorização especial pela pouca idade.
1884: Estréia na imprensa com soneto "A Sesta de Nero", na Gazeta de Noticias, a 31 de agosto.
1887 e 1888: Matrícula como ouvinte na Faculdade de Direito de São paulo; colaboração em jornais paulistas; noivado com Amélia de Oliveira, de novembro de 1887 a maio de 1888.
Cronologia Biográfica
1865: Nascimento, a 6 de dezembro, de Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, filho de Delfina de Paula dos Guimarães Bilac e do dr.Brás Martins dos Guimarães Bilac, no ocasião cirurgião do Exército brasileiro, na Guerra do Paraguai.
1870: O pai retorna da guerra.
1880: Ingresso na Faculdade de Medicina, aos 15 anos, mediante autorização especial pela pouca idade.
1884: Estréia na imprensa com soneto "A Sesta de Nero", na Gazeta de Noticias, a 31 de agosto.
1887 e 1888: Matrícula como ouvinte na Faculdade de Direito de São paulo; colaboração em jornais paulistas; noivado com Amélia de Oliveira, de novembro de 1887 a maio de 1888.
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Infância

O berço em que, adormecido,
Repousa um recém-nascido,
Sob o cortinado e o véu,
Parece que representa,
Para a mamãe que o acalenta,
Um pedacinho do céu.
Que júbilo, quando, um dia,
A criança principia,
Aos tombos, a engatinhar...
Quando, agarrada às cadeiras,
Agita-se horas inteiras
Não sabendo caminhar!
Depois, a andar já começa,
E pelos móveis tropeça,
Quer correr, vacila, cai...
Depois, a boca entreabrindo,
Vai pouco a pouco sorrindo,
Dizendo: mamãe... papai...
Vai crescendo. Forte e bela,
Corre a casa, tagarela,
Tudo escuta, tudo vê...
Fica esperta e inteligente...
E dão-lhe, então, de presente
Uma carta de A.B.C...
domingo, 25 de abril de 2010
Amores de Olavo Bilac
O grande amor de Bilac foi Amélia de Oliveira, irmã do poeta Alberto de Oliveira. Chegaram a ficar noivos, mas o compromisso foi desfeito por oposição de outro irmão da noiva, desconfiado de que o poeta era um homem sem futuro. Seu segundo noivado fora ainda menos duradouro, com Maria Selika, filha do violonista Francisco Pereira da Costa. Viveu só sem constituir família até o fim de seus dias.Mas, como lendas e mitos amorosos cercam a história de todos os poetas, consta que Amélia se manteve fiel à ele por toda vida, não se casando e depositando romanticamente um mecha de seus cabelos no caixão do poeta.Como não tivera herdeiros, preferiu educar várias gerações de brasileiros escrevendo diversos livros escolares, ora sozinho, ora com Coelho Neto ou com Manuel Bonfim.
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