Exigente na questão da forma, Bilac não parava de aperfeiçoar os seus versos. Substituía vocábulos, burilava, emendava, acrescentava, declamava em voz alta, sempre no afã de produzir maior beleza, de obter os melhores efeitos artísticos. Essa tortura de esteta, essa permanente insatisfação, foi uma das características de sua personalidade poética, conforme verificamos, aliás, no poema a seguir:
PROFISSÃO DE FÉ
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
E que o lavor do verso, acaso,
Por tão subtil,
Possa o lavor lembrar de um vaso
De Becerril.
E horas sem conta passo, mudo,
A olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo,
O pensamento.
Porque o escrever - tanta perícia,
Tanta requer,
Que ofício tal... nem há notícia
De outro qualquer.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
Estou adorando este blog!
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